A Rua Número 12




Sinopse

Fernanda tinha apenas seis anos quando ficou doente. Aos onze, internada para tratar de uma doença grave, começou a escrever um diário com a intenção de que se transformasse em livro. Nele a menina conta a história da Rua Número 12, das aventuras que viveu lá com seus amigos, do senhor Francisco, que viu a Morte doze vezes (por isso a rua ganhou o apelido de Rua Número 12) e fala sobre sua vida no hospital. É lá que Fernanda conhece seu anjo da guarda, Pedro, que também está internado e com quem troca muitas alegrias e algumas tristezas. Fernanda fala de suas experiências e do presente; nada fala do futuro. Sabe apenas que será feliz.

Emerson Machado retoma o tema doação de órgãos de forma mais profunda. Agora a pessoa que necessita de uma doação é a própria narradora. De forma leve, às vezes divertida, mas sempre muito sensível, ela nos leva para o universo das incertezas que as doenças muitas vezes provocam. Mostra que cada ser humano é único e que a felicidade depende do modo como se enfrentam os problemas.


Trechos

A conversa de hoje (8 de outubro)

— Quem são os Sebastianos?

— Uns garotos que moravam no bairro São Sebastião e viviam encrencando com a gente porque eles queriam ser os donos da rua e do Campinho do Bosque.

— Vocês derrotaram os Sebastianos?

— Sim — disse eu, orgulhosa. — E é por isso que o nome do meu livro vai ser A Rua Número 12, porque eu fui muito feliz lá.

— Foi?

— Sim.

— E não quer ser mais?

— Como assim?

— Você fala de um jeito como se não fosse mais voltar pra lá...

— Bem... É... — Fiquei confusa. Naquele momento que me dei conta. — Quem sabe... Talvez eu não volte.

— Vai se mudar?

— Você sabe do que estou falando! — Rimos.

— Eu sei, mas... — Pedro ficou pensativo. Com certeza, escolhia as palavras. — Você não pode pensar nessas coisas. Daqui uns dias eu recebo a minha medula e você o seu coração. Então você poderá voltar a enfrentar os sebastianos na Rua Número 12 e eu voltar a galopar.

Um detalhe importante que me esqueci de mencionar, é que antes de vir parar no hospital, Pedro corria a cavalo.

— Mas a gente não sabe direito, não é, Pedro? — disse, e senti calafrios. — Uma coisa totalmente inesperada pode acontecer.
— É... — Pedro me encarou. — Só que eu acho que a minha coisa inesperada é a medula que eu preciso!

— Assim não é inesperado, Pedro.

— É sim. Eu não estou esperando uma medula. Estou esperando um sanduíche bem grande, cheio de queijo, hambúrguer, tomate, alface, pão fofinho... Imagina se chega uma medula no lugar disso?

Eu quase rolei de tanto rir. Minha barriga chegou a doer.

— Que besteira! — eu disse, mas até que não era uma má ideia esperar um belo sanduíche... A comida do hospital é horrível!




Preguiça (14 de outubro)

Hoje eu não queria escrever.

Para ser sincera, estou com preguiça.

Não é fácil para uma menina como eu escrever tanto como eu escrevo. Você já parou para ver quantas páginas eu já escrevi? O livro está ficando grosso de tanto que eu forço a caneta.

Quando pedi à minha mãe para comprar um caderno ou bloco para eu escrever, falei para ela ser criativa. E ela realmente foi. Muitas mães iriam trazer diários cor-de-rosa, roxo ou qualquer outra cor chamativa que meninas adoram. Mas ela trouxe uma espécie de caderno em branco, para que eu pudesse preenchê-lo da forma que eu quisesse.

Quando publicarem o meu livro, vou querer que façam desenhos muito bonitos. É uma pena eu não poder fazer isso. Não sei desenhar bem. Não sou tão boa em desenho como sou em ficar doente. Imagine só: três vezes internada por estar gravemente doente.
Eu disse: gravemente doente.

Sabe o que é precisar de um coração novo e não saber quando o terá?

Sabe o que é pensar que logo terá um coração novo, mas que isso pode te matar?

Os batimentos fracos do meu coração estragado me lembram a cada instante do que eu preciso, do que eu quero. Falar do meu pai e das mortes do senhor Francisco foi ótimo! Me fez pensar mais sobre essa história de... Você sabe... “Morte”.

Como eu disse quando comecei tudo isso... Acho morrer uma besteira. As pessoas se preocupam demais com esse detalhe. É uma coisa que acontece a todo minuto com milhares de pessoas. Mas esse é o meu pensamento corriqueiro...

Nunca tinha parado para pensar profundamente sobre o assunto. É como se tudo se perdesse no fim da linha... Como se eu fosse um trem em direção ao desconhecido e de repente... BAM... Dou de frente com uma parede e me espatifo, sem saber o que acontecerá depois.

O que será que acontece?

Vamos para o céu? Vamos para o inferno? Ou será que a gente vira uma árvore ou algum animal? Será que de repente fica tudo escuro e você tenta se mexer e não consegue? Isso deve ser a pior coisa. Ficar preso num lugar escuro pelo resto da eternidade sem poder se mexer.

Muitos dizem que é como dormir... Mas eu não sei qual é a sensação que tenho quando durmo. Eu fecho os olhos e num passe de mágica os abro novamente e já é de manhã. Como se eu tivesse parado, fechado os olhos, feito uma mágica e saltado algumas horas no futuro. Não sei o que sinto enquanto durmo. Você sabe?

Essas são algumas hipóteses... Mas... E se... Acabar tudo? Simplesmente... Puf! A sua existência se apagar num oceano escuro de esquecimento onde no futuro — exceto se você fizer algo muito extraordinário ou se for presidente — ninguém mais vai saber nem o seu nome? Ou pior, ninguém vai saber ao menos que você existiu?

Bem, para quem estava com preguiça, até que já escrevi bobagens demais hoje!


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Anjo da Guarda (19 de outubro)

Você me disse que não leria um livro chamado A Rua Número 12 — eu até entendo. O livro fala sobre minha vida na rua e você não estava lá quando tudo aconteceu. Fala dos sebastianos, de quando eles tentaram tomar nosso Campinho e de como minha mãe, os vizinhos e o senhor Francisco — aquele senhor que viu a Morte 12 vezes — ajudaram a recuperá-lo.

O livro também fala sobre aquilo que você já sabe e conhece bem: a leucemia, que me pegou duas vezes. É bem chato. Mas agora pode ser que piore, pois não posso mais contar com você, Pedro. O melhor amigo hospitalar que alguém pode ter se foi. Tudo parece mais quieto. Os corredores se enchem apenas de sons de passos. Nada de vozes ou risadas como as nossas. Sem você aqui, talvez seja ainda mais difícil esperar...

Mas agora eu tenho um anjo da guarda. Não sei se você acredita que eles existem, mas o que sei e tenho certeza é que você vai estar sempre comigo.


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Pontos de venda


Editora Duna Dueto Livraria Machado de Assis



Emerson Machado

Escritor curitibano. Nasceu em 1991. Começou a escrever aos 7 anos e aos 16 publicou seu primeiro livro, "Nevon – O pacto de morte", com 272 páginas, pela Editora Protexto, de Curitiba. Durante o ano de 2009 e 2010 foi estudante de Arqueologia na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Ainda em 2009, publicou seu segundo livro: "O Investigador de Sótãos", com 176 páginas e ilustrações de Jackson Oliveira, pela Duna Dueto Editora, de São Paulo – adotado pelo PNBE 2011 (Programa Nacional Biblioteca da Escola – FNDE/MEC). Em 2011, iniciou os estudos em Jornalismo na Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Em 2012 entrou na Editora Quantum, que publica as revistas nacionais VendaMais e Liderança – nas quais participava com matérias e traduções. No mesmo ano, publicou seu terceiro livro, "A Rua Número 12", com 144 páginas e ilustrações de Jackson Oliveira, pela Duna Dueto Editora. Já em 2013, pela Editora Dubolsinho / Aaatchim! Editorial, publicou o infantil "Mamães & Papais", com 24 páginas e ilustrações de Sebastião Nuvens. No mesmo ano, seu conto “Luar” (ultrarromântico) foi premiado e publicado na antologia “Novos autores curitibanos”, que retrata a realidade literária atual na capital paranaense.

Além de vários projetos próprios em andamento, escreveu poemas infantis para o livro "Excursão ao Parque do Terror" (Em breve), inspirados nas ilustrações de Felipe Campos (“Tem um Juve no meu lustre”, Duna Dueto Editora, e “Bebê Auê”, Editora Multifoco) e fábula para o livro "Hannes e a Cidade Mais Bonita do Mundo", baseados em ilustrações de Jackson Oliveira (“Penitenciária Central – Como Nasce um Criminoso”, “Viciado Carioca – Amor e Rock and Roll” e “Interlúdio”, todos da Editora Parêntese – além de ter ilustrado dois dos quatro livros de Emerson Machado). Também lança "O amigo que se tornou uma estrela" pela Giz Editorial em breve.


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Comentários de leitores e críticos

Esta resenha vai ser um pouco especial, porque PRECISO colocar fotos do que mais me chamou a atenção, já que vai ser difícil eu conseguir explicar sem mostrar.

Primeiro, gostaria de adiantar que não li nenhum outro livro no mesmo estilo de A Rua Número 12, que é um sick-lit; exatamente, ainda não li A Culpa é das Estrelas, ou qualquer outro com menos propaganda, então não tenho como comparar ou fazer uma análise dentro do gênero especificamente, sendo assim, começarei pelo aspecto que mais me cativou e foi um dos motivos de eu ter enchido a paciência do Emerson para me dar uma cópia do livro por quase um ano (sim, fiquei desde setembro do ano passado insistindo, e acabei vencendo pelo cansaço! \o/)

Enfim, uma das coisas que mais me chamou a atenção foram diagramação e ilustrações de A Rua Número 12, e fiquei simplesmente babando em cima do livro na primeira vez que tive a chance de vê-lo fisicamente. A diagramação da Duna Dueto ficou muito boa, o que facilitou bastante a leitura, que por si só já era rápida, com uma fonte bem definida e de bom tamanho, e as ilustrações de Jackson Oliveira dão um toque ainda mais especial ao livro, pois ficaram muito bonitas.

Agora, deixando de lado o visual do livro, vamos a história, que isso é o que mais importa aqui!

Em A Rua Número 12 somos apresentados a Fernanda, um garotinha de 11 anos com uma série de problemas de saúde, que narra a sua vida, passada na Rua Número 12 e o hospital onde recebe tratamento contra leucemia. E é através dos olhos de criança de Fernanda que somos introduzidos a outros personagens incríveis, como um velho que dizem ter encontrado a morte 12 vezes, e um rapaz com quem Fernanda cria um laço de amizade muito forte, que a ajuda a passar os dias deprimentes no hospital.

O mais diferente no livro é o fato de ele não possuir uma aura deprimente da primeira a última página, mesmo se levado em consideração o tema de que trata. É claro, existem cenas que alguns ciscos caem no olho, mas cenas assim são necessárias em qualquer história, não é mesmo?

Our Cup of Tea
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