
Sinopse
Após o duro diagnóstico de um câncer de mama, a jornalista Giovana Damaceno precisou tomar uma decisão: “Ou mato este ET ou ele me mata. Não tenho dúvida quanto ao mais forte nesta briga.”.
Com disciplina e atenção ao tratamento contra a doença, Giovana viveu sua experiência de forma positiva, sem perder o humor e a alegria de viver.
Do lado esquerdo do peito é um relato dessa vivência: dor, medo, noites sem dormir, incertezas, altivez, amor, amizade, esperança, fé.
Do primeiro toque ao descobrir um caroço na mama ao processo de recolocação no dia a dia, após vencer o câncer, este livro mostra, em detalhes, o que se passou na mente e no corpo da autora.
Trechos
A correria é tanta, em meio à surpresa, à incredulidade e ao medo, que não é possível ter sã consciência de nada. Lembro-me do choro desesperado, literalmente sapateando agarrada ao marido, na calçada, em pleno movimento da rua, após o exame de ressonância magnética. Ao fim do procedimento o médico responsável me chamara para conversar e adiantara a péssima notícia. Já ouviu alguém usar a expressão “o chão sumiu”? Some mesmo. Fiquei momentaneamente sem as pernas, sem voz, sem reação. Meu marido estava na sala de espera, não contava com a ajuda de ninguém naquela hora; éramos apenas o médico e eu. Que solidão, meu Deus! Que abandono! Que notícia horrível de ser recebida assim, sem alguém ao lado pra segurar a mão.
Caio tinha apenas onze anos. Não sabia exatamente o que ocorria; disse a ele que tratava de um tumor. Sempre foi muito companheiro desde pequeno e não deixou de ser naquele momento. Seus olhos traziam uma dúvida constante, um pedido, talvez me esperasse dizer algo que eu nunca dizia. Não sabia o que ele esperava de mim, não sabia o que ele sentia de verdade. Também é característica dele não dizer o que sente. E nem durante nossos piores dias pode se abrir. Quase ao fim do tratamento quimioterápico falei claramente com ele que combatia um câncer. Chamei-o no quarto, nos abraçamos e ali conversamos durante muito tempo. Ninguém jamais saberá o que falamos, o que trocamos, o que nos prometemos. Embora se tratasse de uma criança e hoje de um adolescente, com todas as complicadas mazelas de ambas as fases, somente nós dois sabemos o que é nossa relação mãe-filho.
No meu caso, sinceramente, perder minhas madeixas não chegou a ser uma grande preocupação. Na minha família a novidade mexeu um bocado com as mentes, principalmente da mulherada. Minha irmã até me ligou do Rio, pra me dizer que tinha visto umas perucas muito legais. Nada disso. Essa possibilidade foi descartada logo de início. Nada de fingir que tenho cabelo, quando todo o mundo sabe que não tenho, mas acaba fingindo que acredita que tenho. Sem chance; peruca, definitivamente, não. Logo, logo arranjei um jeito de aumentar minha coleção de chapéus, lenços, echarpes de seda e de lã (que se transformaram em lindos e coloridos turbantes). Aliás, o episódio da compra dos chapéus é memorável. Tirei uma tarde para passear pelo Mercado Popular, atrás de chapéus novos, que tampassem bem a cabeça. E para comprá-los, claro, era preciso experimentar. E foi um evento, pra mim, careca, no MercPop: tira um, coloca outro, olha no espelho, pergunta pra alguém ao lado se está bom, tira de novo, anda mais um pouco, e todo o mundo ali dentro acompanhando, de olhos meio arregalados, aquela careca desfilando pelos corredores, livre, leve e solta. Quem iria imaginar que um dia eu faria isso?!
Pontos de venda
Editora Penalux
Giovana Damaceno
Jornalista e escritora.
Autora dos livros “Mania de Escrever” (2010), "Depois da Chuva, o recomeço" (2012) e "Do lado esquerdo do peito" (2013).
É colunista da revista benfazeja, do jornal Volta Cultural, de Volta Redonda/RJ, revisora, copidesque, leitora crítica e roteirista.
Membro da Academia Volta-redondense de Letras.
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Autora dos livros “Mania de Escrever” (2010), "Depois da Chuva, o recomeço" (2012) e "Do lado esquerdo do peito" (2013).
É colunista da revista benfazeja, do jornal Volta Cultural, de Volta Redonda/RJ, revisora, copidesque, leitora crítica e roteirista.
Membro da Academia Volta-redondense de Letras.
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Comentários de leitores e críticos
Ler esse relato, pra mim, foi bastante intenso e emocionante, porque vivi muita coisa de perto. Lembro quando soube o resultado do exame crucial, no trabalho, pelo MSN. Meu amigo Anselmo Lacerda (in memorian) estava ao meu lado quando desabei na mesa e chorei, sem chão, com medo, sem entender direito. Ele me abraçou e ficamos em silêncio. Depois fomos em frente; e a coragem da Giovana me mostrou como somos fortes nos momentos de maior fragilidade. A força dela me dava força também e deixou uma grande lição pra mim. Leiam e emocionem-se também! Aqui dentro tem vida."
A Giovana tem uma forma de escrever muito envolvente. O livro traz relatos sinceros e corajosos. O que mais me emocionou foi o amor que transbordou em todo o processo de luta contra a doença. No ponto de vista da cultura de Volta Redonda, essa obra pode mudar opiniões e até mesmo salvar vidas. Estou encantada.”
A leveza do relato de alguém que conseguiu passar por tudo isso é importante para desmistificar medos. O livro é um excelente exemplo de como qualquer obstáculo pode ser menor quando a gente encara com coragem.”

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